A Reforma Tributária, aprovada e agora em fase de regulamentação, é o assunto mais importante para quem empreende no Brasil. Se você é dono de uma micro ou pequena empresa optante pelo Simples Nacional, pode ter ouvido que "nada muda" para o seu regime.
Mas, como advogada tributarista, preciso lhe dizer: as regras do jogo mudaram, e entender a nova lógica é a diferença entre prosperar ou ver sua margem de lucro desaparecer :

O Simples Nacional foi preservado pela Constituição. Isso significa que a guia única (DAS) que você paga todo mês continuará existindo.
No entanto, a forma como o mercado enxerga os impostos dentro dessa guia vai mudar drasticamente. A reforma substitui cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços - Federal) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços - Estados e Municípios). Juntos, eles formam o que chamamos de IVA Dual.
O grande ponto de atenção é que esses novos impostos funcionam à base de créditos, e é aqui que o Simples Nacional entra em uma zona de turbulência.
Imagine que o Simples Nacional é uma cesta fechada. Hoje, você paga uma alíquota única e seu cliente, se for uma empresa grande, aproveita um crédito pequeno sobre o que você vendeu.
Com a reforma, o governo criou um sistema de escolha para o empresário do Simples:
Por que alguém escolheria pagar por fora? Por causa da competitividade. Se você vende para outras empresas (B2B), elas vão querer comprar de quem fornece o maior "crédito" tributário.
Se o seu crédito for menor que o do seu concorrente, o seu produto acabará ficando mais caro para o seu cliente final, mesmo que o seu preço de venda seja igual.
Aqui mora o perigo. Se a sua empresa é uma prestadora de serviços para o consumidor final (como um salão de beleza ou uma pet shop), a reforma tende a ser neutra ou até positiva, pois o cliente pessoa física não se importa com créditos. Contudo, para indústrias e empresas de serviços que atendem outras empresas, a manutenção da competitividade será um desafio.
Se você permanecer 100% no Simples, poderá ser "expulso" de cadeias produtivas por grandes corporações que buscarão fornecedores que gerem créditos cheios de IBS e CBS.Na prática, existe um risco real de aumento indireto da carga tributária.
Se você optar por pagar o IBS/CBS por fora para dar crédito ao seu cliente, a sua alíquota somada desses dois impostos pode chegar a cerca de 26,5% a 28%.
Para muitos pequenos negócios, esse percentual é muito superior ao que pagam hoje dentro do DAS.
Cuidados Necessários: O planejamento deve começar agora:
A "mão invisível" da Reforma Tributária vai exigir que o micro e pequeno empresário deixe de ser apenas um bom executor e passe a ser um estrategista financeiro.
O Simples Nacional não será mais tão "simples" assim. A mensagem final é de cautela, mas não de pânico.
A transição será gradual, mas o mercado se antecipa. Busque uma consultoria contábil e jurídica especializada para realizar simulações reais do seu faturamento.
O planejamento tributário, que antes era coisa de "empresa grande", agora se tornou o kit de sobrevivência essencial para o pequeno negócio no novo Brasil que se desenha.
A Reforma Tributária mantém o Simples Nacional, mas introduz o IBS e a CBS. O empresário terá que escolher entre pagar tudo unificado (gerando pouco crédito para o cliente) ou pagar esses dois novos impostos separadamente (gerando crédito cheio).
Essa decisão dependerá inteiramente de para quem você vende e qual a sua estrutura de custos.